Da minha vida tenho pra contar a mais insensível das histórias já contadas.
"Em algum lugar distante desse caminho ele perdeu sua alma para um cara sem coração. Como você pode não ter coração? Como você pode ser tão frio como o vento gelado daquela noite? Mas só lembre que você está lidando é comigo e olhe bem o jeito que você fala. Quero dizer, depois de tudo que a gente passou e de tudo que eu te fiz passar. Ei, você, eu sei de algumas coisas que você ainda não me disse e sei de muito ainda pra dizer, mas você não quer ouvir. Aquilo tudo que eu lhe disse é verdade mas faz parte do velho eu. Já passou. Enxergue que as coisas mudaram e pare de agir como se não me conhecesse e de fazer de tudo pra se vingar do que eu disse. Como você pode bancar o malvado enquanto eu rastejo nos seus pés? E quem é você pra dizer que nós não podemos falar sobre aquilo tudo que lhe confessei? Sobre o que então quer conversar? Sobre qualquer coisa, desde que não mostre seus sentimentos? Quais sentimentos, se você não tem coração? Você vê todo mundo falando bem de mim, então espere algum tempo e você verá que não vai achar ninguém melhor que eu! Como você pode ser tão insensível?"
Naquela noite as pessoas relatavam umas pras outras a mais terrível das história já contadas. Todos ficavam mudos e chocados com o destino daquele pobre rapaz que tinha tanto amor pra confessar. Eu também ouvi por aí a mais cruel das histórias já contadas e não por coincidência percebi que ela aconteceu exatamente comigo naquela noite em que perdi minha alma sob aquele ponto do caminho pra um cara sem coração. Completamente sem coração.
domingo, 7 de junho de 2009
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