terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vilão dos meus vilões.

Em um sonho inapropriado e intempestivo, eu era persecutor de criaturas temíveis, que, amedrontadas, fugiam do meu ataque. Era um estranho lugar no qual eu nunca estivera antes, e espectros que outrora punham-me medo, agora desesperavam-se ante minha vilania. Eu conseguia ver a angústia das minhas presas, seus olhos quentes por uma saída, ávidos pela libertação, por sair da minha clausura torturante. Que diabos aconteceu comigo para tornar-me o vil caçador de meus vilões? Esse não sou eu. Foi isso que eu me tornei? Transfigurado em um ser imoral, vivendo à guisa dos meus desejos e submetendo meus amigos e adversários aos meus caprichos, me pergunto se há volta. Se há algum modo de eu voltar a ser o que era, pacificar meu espírito e viver a vida que é a minha, ser a pessoa que eu reconheço em mim. Impressiona-me o modo como o sonho que eu tive expõe as interpretações do meu subconsciente a respeito das minhas atitudes e das minhas reflexões mais recentes. Eu ando vivendo uma vida que não me pertence, que não comporta a personalidade que eu sempre sustentei, que me torna um estranho frente à minha própria autocrítica. Qual vida viver, qual pessoa eu quero ser, como eu quero manter meu caráter, quais meus objetivos, quem eu quero que esteja ao meu lado? Efemeridades cheias de prazer ou uma plenitude amena e perena? Quem eu quero que sejam meus heróis, quem eu escolho para ser meus vilões? A conclusão que eu alcanço neste momento é que eu não consigo ocupar as duas posições ao mesmo tempo, e eu preciso parar de perseguir meus vilões, se eu quero um dia voltar a ser meu próprio herói.

domingo, 7 de junho de 2009

The coldest story ever told

Da minha vida tenho pra contar a mais insensível das histórias já contadas.

"Em algum lugar distante desse caminho ele perdeu sua alma para um cara sem coração. Como você pode não ter coração? Como você pode ser tão frio como o vento gelado daquela noite? Mas só lembre que você está lidando é comigo e olhe bem o jeito que você fala. Quero dizer, depois de tudo que a gente passou e de tudo que eu te fiz passar. Ei, você, eu sei de algumas coisas que você ainda não me disse e sei de muito ainda pra dizer, mas você não quer ouvir. Aquilo tudo que eu lhe disse é verdade mas faz parte do velho eu. Já passou. Enxergue que as coisas mudaram e pare de agir como se não me conhecesse e de fazer de tudo pra se vingar do que eu disse. Como você pode bancar o malvado enquanto eu rastejo nos seus pés? E quem é você pra dizer que nós não podemos falar sobre aquilo tudo que lhe confessei? Sobre o que então quer conversar? Sobre qualquer coisa, desde que não mostre seus sentimentos? Quais sentimentos, se você não tem coração? Você vê todo mundo falando bem de mim, então espere algum tempo e você verá que não vai achar ninguém melhor que eu! Como você pode ser tão insensível?"

Naquela noite as pessoas relatavam umas pras outras a mais terrível das história já contadas. Todos ficavam mudos e chocados com o destino daquele pobre rapaz que tinha tanto amor pra confessar. Eu também ouvi por aí a mais cruel das histórias já contadas e não por coincidência percebi que ela aconteceu exatamente comigo naquela noite em que perdi minha alma sob aquele ponto do caminho pra um cara sem coração. Completamente sem coração.

sábado, 30 de maio de 2009

40 Minutos de Silêncio: Muitas Confusões e uma Certeza.

Onde quando e enquanto todos perderam suas cabeças, você perdeu seu coração. Eu procurei segurá-lo em minhas mãos geladas (de um tato frio), no entanto você insistia em não deixá-lo sob meus cuidados. Preferiu o trato frio das suas próprias mãos, o que fazia sua pulsação congelar, e mitigar, e extinguir-se num sopro do vento da noite fria. Uma noite que poderia ser quente, se a candura gélida do seu coração encontrasse o ritmo frenético das minhas batidas, que, ao seu lado, tremiam insólitas de frio de nervoso de curiosidade de ansiedade e por eu estar completamente perdido na sua.

Não pude conhecê-lo ontem a noite. Nada me dá uma pista do seu sentimento. E, a cada vez que isso acontece, eu me apaixono mais. À medida em que o tempo passa e quanto menos eu te conheço, mas eu te quero.

Eu não te conheço
Mas eu te quero
Ainda mais por isso.

Eu não me importo com isso. Enquanto eu amo, eu sou feliz e nunca perco a noção de que por tudo aquilo que vale a pena ter vale a pena esperar.

E eu espero tudo o que for preciso.

Um recado para seu congelante coração cândido: nunca faltarão novas oportunidades para futuras coragens.

sábado, 23 de maio de 2009

Noite Passada III - Voe, pássaro cativo!

Ontem eu abri a gaiola do pássaro cativo. Dei-lhe a oportunidade de fazê-lo voar, pois estava certo que ele estaria preparado para o voo. Coloquei-o em minhas mãos, e aticei-o com uma conversa aliciante, esperando o momento em que ele tomaria o impulso para o salto. Não saltou. O pássaro cativo fechou as asas, negando a si e a mim a maior chance de levantar voo em minha companhia. Em meus sonhos aquele momento seria libertário, pois havia-o (e a mim mesmo) preparado para o voo.

Os momentos que antecederam o fracasso da minha tentativa foram, de todo, tendentes à minha tomada de iniciativa. O pássaro me olhava com aqueles mesmos olhos penetrantes de quando o conheci pela primeira vez, e sua boca parecia querer tocar a minha de uma vez por todas, mais do que nunca (nunca talvez a tocará?) na companhia do seu toque íntimo que não veio. Eu cría no voo. Ainda creio, pois o pássaro cativo não me disse ainda que não quer voar de asas dadas comigo. Ainda sonho com o dia em que impulsionaremos nossas asas atadas no sentido de um vôo infinito - pássaros libertos voando juntos, como se pássaros pudessem voar de asas dadas.

Não se preocupe, pássaro, caso ainda queiras livrar-se do cativeiro na companhia do meu voo. Eu esperarei o quanto necessitar pela sua audácia. Em mim, nunca lhe faltarão novas oportunidades para futuras coragens. Em mim tens um companheiro para o voo, para a vida, para sempre, permanentemente.

Tu és belo, pássaro cativo! Mas não voas. E mais que tudo, eu preciso que tu voes pra eu próprio poder me libertar, cativo! Tua dúvida é a minha dúvida: Liberte-se, pássaro cativo, para que eu próprio saia desta escravidão.

Noite Passada II - Sob o silêncio das estrelas

Solidão.
O silêncio das estrelas.
A ilusão.
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos.
Como um Deus
E amanheço mortal.
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim.
E o que é que eu procuro afinal?

Um sinal.
Uma porta pro infinito.
O irreal.
O que não pode ser dito, afinal.
Ser um homem em busca de mais.

Afinal, como estrelas que brilham em paz.

Solidão.
O silêncio das estrelas.
A ilusão.

Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos.
Como um Deus.
E amanheço mortal.

Lenine

Noite Passada

Encha, então de palavras a minha loucura
Ou me deixe viver na minha serena
Noite de alma pra sempre escura.

"Tchau, até semana que vem".

El poeta pide a su amor que le escriba

Amor de mis entrañas, viva muerte,
en vano espero tu palabra escrita
Y pienso, con la flor que se marchita,
que si vivo sin mí quiero perderte.

El aire es inmortal. La piedra inerte
ni conoce la sombra ni la evita.
Corazón interior no necesita
la miel helada que la luna vierte.

Pero yo te sufrí. Rasgué mis venas,
tigre y paloma, sobre tu cintura
en duelo de mordiscos y azucenas.

Llena pues de palabras mi locura
o déjame vivir en mi serena
noche del alma para siempre oscura.

Frederico Garcia Lorca

sábado, 9 de maio de 2009

Não consigo reprimir

Eu não consigo reprimir. Não consigo e eu preciso extravazar. Eu preciso mostrar pro mundo, o mundo precisa ver, ver todo o amor, o amor que eu tenho em mim. Me diz, por que ficar sozinho? Por que ficar sozinho se com você é tão melhor? Eu tenho muito pra dizer, dizer o que eu quero lhe dizer ou dizer qualquer coisa. Cara, não teria nada que eu não faria por você, se você me deixasse tentar. Eu não consigo me reprimir, não consigo guardar só pra mim o que eu sinto por você, não consigo trancafiá-lo e esconder pra sempre.

Eu quero ter você aqui junto comigo. Então não corra, não se esconda enquanto eu estou com você. E diga. Diga tudo que você quer dizer, diga o que quiser, diga tudo, qualquer coisa.
Eu sou todo amor pra você, e o seu amor agita o meu sangue, meu sangue faz minha cabeça girar e a minha mente se apaixona, oh, não dá mais. Não dá mais pra segurar. Eu preciso liberar e deixar o mundo saber de todo esse amor, um amor tão à flor da pele. Como você não consegue ver? Como você não enxerga se está escrito na minha cara, se meus olhos não escondem, e se o mundo todo já percebe?!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Autorretrato

All that I am
All that I ever was
Is here in your perfect eyes, they're all I can see.

Cautelar

I want so much to open your eyes
Cause i need you to look
Into mine.

Confusão

Se você não é pra mim, por que eu sou feliz com você e por que nossas mãos se encaixam perfeitamente uma na outra? Se você não é pra mim, por que seus olhos respondem aos meus chamados? Se você não é pra mim, como eu vou ter forças pra seguir em pé?

Eu não sei o que o futuro nos preserva, mas eu sei que estamos juntos agora e que eu quero compartilhar minha vida inteira com você. Mas eu não sei o que fazer.

Eu não quero me esconder, mas eu não aguento mais a confusão: se eu não fui feito pra você, por que meu coração diz que eu fui? Há algum jeito de eu ter certeza de que seus braços foram feitos pra me abraçar?

Se eu não preciso de você, por que eu chorei ao ver você dispersar? E se eu não estivesse tão na sua, por que sua voz e seu nome ressoariam na minha cabeça o tempo todo? Se você não é pra mim, por que a distância mutila meu corpo? E por que eu sonho com você todas as noites?

Eu não sei por que você é tão distante e se faz tão complicado, mas eu sei que eu e você, que isso tudo é verdade. E que nós vamos ficar juntos. Então por que eu sonho que você esteja na construção da minha vida? Se você não é pra mim, o que é então?

Cause I need you, body and soul so strong that it takes my breath away
And I breathe you into my heart and pray for the strength to stand today‘
Cause I love you, whether it's wrong or right

And though I can't be with you tonight
You know my heart is by your side.

(Daniel Bedinfield)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Impulso

De verdade. Não consigo mais arranjar desculpas esfarrapadas pra te ver, ou falar contigo. Já tá pegando mal, inclusive. As pessoas começam a reparar meus novos hábitos e me perguntam curiosas o porquê deles. Tangente. Nada me importa, no entanto, senão unicamente a vontade de ter ver, e os teus olhos, e a tua boca. Sentir teu jeito e teu humor. Basta. Basta a vontade. Não consigo me deter.

domingo, 26 de abril de 2009

Working on a Dream

Angústia. Angústia boa. Imaginação à mil por hora. O que vai ser? Como agir? O que esperar? Conversar? Deixar em paz? Matar a saudade? Deixá-la crescer mais um pouco?

Por que é tão difícil organizar o raciocínio quando estamos dominados por um sentimento tão louco?

Hoje fiquei o dia inteiro virtualmente ao seu lado e não tive coragem de falar com você. Não sabia o que dizer, simplesmente. Embora, sim, eu tenha muito a dizer. Tantas coisas a confessar...

Quero evitar estragar o momento que deixamos suspenso no tempo na última vez que nos vimos. Espero que você também queira guardar aqueles momentos em que estávamos tão felizes juntos, alterados um pouco, é verdade, mas conectados e sincrônicos. Ria de mim, pois eu amo seu sorriso. Só peço pra não escondê-lo enquanto ri. Me olhe profundo, eu deixo, eu nunca fui olhado por olhos mais belos. Desculpa se eu desvio os meus depois de alguns segundos, mas é que eu realmente derreteria se os mantivesse nos seus. Nesse caso, prefiro deixá-los olhando-me sozinho. (E eu sei que você me olha, como eu sei! ... e com que olhos!) Conte-me sua vida, quero imaginar-me fazendo parte dela, pensando em nós dois dividindo os momentos e os hábitos. Conte-me seus gostos, eu esquecerei dos meus e irei compartilhá-los. Fale comigo. Sua voz me deixa louco e seu jeito de abrir a boca me dá vontade de tocá-la com um beijo.

Exatamente como eu fiz essa noite de olhos fechados.

"I'm working on a dream
And our love will make it real someday
I'm working on a dream
And how you will be mine someday"
Bruce Springsteen

sábado, 25 de abril de 2009

Euforia

Não vou dizer nada! Nada do que eu disser vai chegar aos pés do que foi hoje. Palavra nenhuma vai significar aquilo que eu senti e aquilo que eu percebi em troca. Sei que estou anestesiado pela euforia e nada vai poder me deter.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cadê o chão?

Incrédulo. Impressionado pela magia dos últimos momentos, o chão já não sinto mais. Sinto não haver superfície sob meus pés e a proximidade das nuvens está me fazendo delirar. Estou nas nuvens. Cadê o chão? Quando falas comigo, o chão desaparece e minhas pernas tremem. Minha boca enrijece e eu perco a conexão entre aquilo que eu acabei de dizer e aquilo que eu estava prestes a pensar. Cadê meu chão?
Já não sei mais o que dizer. O que era para ser feito, já é passado; eu vivo à luz do novo tempo: ou é céu, ou é inferno. O chão já se foi. Agora fico à revelia do pêndulo do acaso, que pode vacilar do céu ao inferno, me destinando peremptoriamente àquilo que me está guardado, e que somente tu conheces. O pêndulo vai pra lá e vem pra cá, movendo-se por altos e baixos. Independentemente da minha vontade. Dependendo somente da tua.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Três palavrinhas que ecoam em meus ouvidos

Hoje foi o dia! E como!... Não foi marcante pelo fato de eu ter pedido demissão, pegado chuva no caminho ou ter me sufocado num ônibus lotado e sacolejante. Nem de eu ter chorado por vergonha de não ter capacidade naquilo que eu faço e ao que eu me dedico há dois anos de estudo. Também não foi marcante por fazer 445 anos de aniversário do Shakespeare.

Foi inesquecível este 23 de Abril porque foi a primeira vez que eu senti que você deu bola pra mim. Seu sorriso enquanto eu o olhava dizia muito do que você tem a dizer pra mim. Eu tenho certeza que os milésimos de segundos que nossos olhos ficaram presos um no olhar do outro significam muito daquilo que você não tem coragem de dizer. Você só tem coragem de expressar com os olhos. Eles repousam tão ternos nos meus. Eu sei. A paciência como que você fala e a calma da sua voz me faz imaginar que quando você disser "Eu te amo!" esse momento vai durar pra sempre!

Daqui pra frente imagino que o gelo esteja quebrado. Hoje conversamos mais do que poderíamos tê-lo feito nos quinze dias em que estou apaixonado. Sinto que a partir de hoje as coisas vão ser mais do meu jeito. Seu sorriso, sua voz, seu jeito visto de perto, seus olhos nos meus, sua atenção enquanto me ouve, seu sarcasmo, seu alegria e ironia. Daqui pra frente são meus.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Platão

Eu não te conheço. Mas eu te quero. Algumas reflexões sobre eu e você:

1. Cheguei num ponto em que não sei mais o que fazer, ou como agir. Idealizei você e tenho medo de me iludir o dia que você deixar de ser apenas uma ideia - tenho muito receio de desapaixonar quando você se apaixonar.

2. Ao mesmo tempo, já passamos da fase do anonimato, em que meus olhos podiam descansar nos seus e seu olhar poder investigar o meu. Apesar de poder segurar sua mão e ouvir sua voz, não posso mais penetrar no fundo dos seus olhos. Não posso mais.

3. A tese da ilusão materialista não pode se perfazer. A um, porque eu não vou deixar de adorar você, eu estou muito dentro pra poder sair. Quero você. Adoro você. Quero conhecê-lo e descobrir seus defeitos. Vou amá-los. A dois, porque estou certo de que você é perfeito assim como você é, assim como eu o vejo - o objeto do meu idealismo é real, tenho certeza! Vai ser impossível me desapegar.

4. Como buscar maior aproximação sem parecer invasivo? Não quero incomodá-lo no seu mundo particular, desvirtuar sua calma e sua paz. Não quero forçá-lo a me dar oi, a conversar, a se abrir. Parei do seu lado dia desses, e fiquei mudo, embora meu coração quisesse dizer-lhe tantas coisas! Tantas coisas ele tem pra dizer.

5. Será que eu estou à sua altura, meu amor? Acredite, tudo que eu venho fazendo ultimamente é pra poder ter a certeza de que eu posso ser digno do teu afeto. Mas não sei até que ponto é possível, já que você parece ter uma vida à parte, uma personalidade à parte, amigos à parte, prazeres à parte... Acho que quando eu tocá-lo e ver que de todo você traz a perfeição em si, vou ter que abandoná-lo.

A razão do meu afeto é sem-razão. Embora eu pense e teorize sobre meus sentimentos, tudo se volta para a sua imagem. A imagem do meu amor.

E aí, tudo são emoções à flor da pele.

Indomáveis pela razão.

sábado, 18 de abril de 2009

Do amor e outros demônios

Ele vai me possuindo
Não me possuindo
Num canto qualquer
É como as águas fluindo
Fluindo até o fim
É bem assim que ele me quer
Meu namorado
Meu namorado
Minha morada
É onde for morar você

Ele vai me iluminando
Não me iluminando
Um atalho sequer
Sei que ele vai me guiando
Guiando de mansinho
Pro caminho que eu quiser
Meu namorado
Meu namorado
Minha morada é onde for morar você

Vejo meu bem com seus olhos
E é com meus olhos
Que o meu bem me vê

Chico Buarque
Você vai me Seguir
Chico Buarque


Você vai me seguir aonde quer que eu vá
Você vai me servir, você vai se curvar
Você vai resistir, mas vai se acostumar
Você vai me agredir, você vai me adorar
Você vai me sorrir, você vai se enfeitar
E vem me seduzir
Me possuir, me infernizar
Você vai me trair, você vem me beijar
VOCÊ VAI ME CEGAR E EU VOU CONSENTIR
Você vai conseguir enfim me apunhalar
Você vai me velar, chorar, vai me cobrir
e me ninar

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Adrift on you

Falling Slowly

I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can't react

And games that never amount
To more than they're meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You'll make it now
Falling slowly, eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me and erase me
And I'm painted black

You have suffered enough
And warred with yourself
It's time that you won

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now
Falling slowly sing your melody
I'll sing along

quinta-feira, 16 de abril de 2009

No Heaven upon the Horizon Line

Há sempre tempo de saltar antes de a barca chegar no inferno.

Você está sentado na popa, de pernas pro ar, deixando somente os ventos e as estrelas guiarem seu destino. De vez em quando você olha para baixo e vê golfinhos apostando corrida aos seus pés, uns desafiando os outros pelo grande prêmio que é poder saltar para dentro da embarcação e fazer-lhe companhia. E você quer, sim, companhia. Navegar é tão tedioso sem golfinhos por perto!, as tempestades parecem assassinas, o horizonte é mais intocável, os segundos correm para trás e a noite não vira mais dia: a aurora nunca chega.

Aí então, depois de muito perceber que as coisas não saíram do jeito que te prometeram, você compreende que não existe paraíso acima da linha do horizonte. O mar enegrece, os golfinhos te bicam pelas costas, e nos achamos à deriva dentro do nosso próprio hábitat. E você se dá conta de que o infinito que o diabo te pintou é, na verdade, um caminho amarelo para uma muito longínqua terra chamada Oz, onde na porta de entrada se depositam os mais sôfregos sonhos partidos das almas perdidas. Na porta do infinito, a ilusão.

Na direção do infinito, o que se encontra é o inferno. Tudo porque o infinito não é nada senão aquilo que insistimos ter capacidade de alcançar, e que, na contramão, insiste em querer fugir do nosso alcance. Aquela ilusão, misturada com aquela vontade de pagar para ver, que nos guia por caminhos amarelos para a terra das almas perdidas. Nossos sonhos. O infinito não existe, mas é meu. Só meu. O seu, é seu. Seu infinito. Sua ilusão. Salte se quiser, o sonho é seu mesmo.

Há sempre tempo de saltar antes de a barca chegar no inferno. Tudo o que não conseguimos é saltar da barca enquanto o diabo ainda não sabe que estamos mortos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pássaro Cativo

Hoje eu conheci um pássaro cativo. Um belo exemplar de pássaro, porém cativo. Não voava, pois não se permitia sonhar com o voo, sabendo estar encarcerado. Somente me olhava como que pedindo liberdade, implorando pra que eu lhe abrisse a gaiola que o prende e o pusesse livre. Embora o contágio dos seus olhos pequenos me dominasse, investi em não fitá-lo muito, pois, por certo, eu sucumbiria à tentação de libertá-lo. Mas eu não pude. Pássaros cativos precisam libertar-se sozinhos.
Parecia perdido quando o vi da primeira, da segunda, da terceira vez. Ia e voltava, entrava e saía do seu ninho. Era como se quisesse mostrar seu canto, mas mudava de ideia e se retraía, recobrando a proteção de que por um segundo tinha se desfeito. Não saía da defensiva, mas seus olhos buscavam os meus, isso eu sei.
Conheci um pássaro do bando do pássaro cativo. E através deste pássaro foi que eu tive coragem e oportunidade de pegar o pássaro cativo em minhas mãos pela primeira vez. Próprio dos enclausurados, logo quis desvencilhar-se do meu toque.
Foi então que ouvi seu canto.Um canto grave tem o pássaro cativo. Que canto! Um canto tímido, fugaz, silente. E único. Não tenho coragem de fazê-lo cantar novamente. Não tenho.
O que te impede, pássaro cativo, de expandir suas asas e mostrar teu voo? Eu quero vê-lo voar, meu amigo, pois eu sei que tu és da espécie de pássaros que voa.
Como agir perante todas as dúvidas que tu me trazes? Meus olhos, boca, sentidos e pensamentos estão anestesiados e trancafiados no cativeiro que tu construíste pra mim, cativo, para fazê-los ocultos e secretos como são os teus.
Tu és belo, pássaro cativo! Mas não voas. E mais que tudo, eu preciso que tu voes pra eu próprio poder me libertar, pássaro cativo!