Ontem eu abri a gaiola do pássaro cativo. Dei-lhe a oportunidade de fazê-lo voar, pois estava certo que ele estaria preparado para o voo. Coloquei-o em minhas mãos, e aticei-o com uma conversa aliciante, esperando o momento em que ele tomaria o impulso para o salto. Não saltou. O pássaro cativo fechou as asas, negando a si e a mim a maior chance de levantar voo em minha companhia. Em meus sonhos aquele momento seria libertário, pois havia-o (e a mim mesmo) preparado para o voo.
Os momentos que antecederam o fracasso da minha tentativa foram, de todo, tendentes à minha tomada de iniciativa. O pássaro me olhava com aqueles mesmos olhos penetrantes de quando o conheci pela primeira vez, e sua boca parecia querer tocar a minha de uma vez por todas, mais do que nunca (nunca talvez a tocará?) na companhia do seu toque íntimo que não veio. Eu cría no voo. Ainda creio, pois o pássaro cativo não me disse ainda que não quer voar de asas dadas comigo. Ainda sonho com o dia em que impulsionaremos nossas asas atadas no sentido de um vôo infinito - pássaros libertos voando juntos, como se pássaros pudessem voar de asas dadas.
Não se preocupe, pássaro, caso ainda queiras livrar-se do cativeiro na companhia do meu voo. Eu esperarei o quanto necessitar pela sua audácia. Em mim, nunca lhe faltarão novas oportunidades para futuras coragens. Em mim tens um companheiro para o voo, para a vida, para sempre, permanentemente.
Tu és belo, pássaro cativo! Mas não voas. E mais que tudo, eu preciso que tu voes pra eu próprio poder me libertar, cativo! Tua dúvida é a minha dúvida: Liberte-se, pássaro cativo, para que eu próprio saia desta escravidão.
sábado, 23 de maio de 2009
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