Há sempre tempo de saltar antes de a barca chegar no inferno.
Você está sentado na popa, de pernas pro ar, deixando somente os ventos e as estrelas guiarem seu destino. De vez em quando você olha para baixo e vê golfinhos apostando corrida aos seus pés, uns desafiando os outros pelo grande prêmio que é poder saltar para dentro da embarcação e fazer-lhe companhia. E você quer, sim, companhia. Navegar é tão tedioso sem golfinhos por perto!, as tempestades parecem assassinas, o horizonte é mais intocável, os segundos correm para trás e a noite não vira mais dia: a aurora nunca chega.
Aí então, depois de muito perceber que as coisas não saíram do jeito que te prometeram, você compreende que não existe paraíso acima da linha do horizonte. O mar enegrece, os golfinhos te bicam pelas costas, e nos achamos à deriva dentro do nosso próprio hábitat. E você se dá conta de que o infinito que o diabo te pintou é, na verdade, um caminho amarelo para uma muito longínqua terra chamada Oz, onde na porta de entrada se depositam os mais sôfregos sonhos partidos das almas perdidas. Na porta do infinito, a ilusão.
Na direção do infinito, o que se encontra é o inferno. Tudo porque o infinito não é nada senão aquilo que insistimos ter capacidade de alcançar, e que, na contramão, insiste em querer fugir do nosso alcance. Aquela ilusão, misturada com aquela vontade de pagar para ver, que nos guia por caminhos amarelos para a terra das almas perdidas. Nossos sonhos. O infinito não existe, mas é meu. Só meu. O seu, é seu. Seu infinito. Sua ilusão. Salte se quiser, o sonho é seu mesmo.
Há sempre tempo de saltar antes de a barca chegar no inferno. Tudo o que não conseguimos é saltar da barca enquanto o diabo ainda não sabe que estamos mortos.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário