quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pássaro Cativo

Hoje eu conheci um pássaro cativo. Um belo exemplar de pássaro, porém cativo. Não voava, pois não se permitia sonhar com o voo, sabendo estar encarcerado. Somente me olhava como que pedindo liberdade, implorando pra que eu lhe abrisse a gaiola que o prende e o pusesse livre. Embora o contágio dos seus olhos pequenos me dominasse, investi em não fitá-lo muito, pois, por certo, eu sucumbiria à tentação de libertá-lo. Mas eu não pude. Pássaros cativos precisam libertar-se sozinhos.
Parecia perdido quando o vi da primeira, da segunda, da terceira vez. Ia e voltava, entrava e saía do seu ninho. Era como se quisesse mostrar seu canto, mas mudava de ideia e se retraía, recobrando a proteção de que por um segundo tinha se desfeito. Não saía da defensiva, mas seus olhos buscavam os meus, isso eu sei.
Conheci um pássaro do bando do pássaro cativo. E através deste pássaro foi que eu tive coragem e oportunidade de pegar o pássaro cativo em minhas mãos pela primeira vez. Próprio dos enclausurados, logo quis desvencilhar-se do meu toque.
Foi então que ouvi seu canto.Um canto grave tem o pássaro cativo. Que canto! Um canto tímido, fugaz, silente. E único. Não tenho coragem de fazê-lo cantar novamente. Não tenho.
O que te impede, pássaro cativo, de expandir suas asas e mostrar teu voo? Eu quero vê-lo voar, meu amigo, pois eu sei que tu és da espécie de pássaros que voa.
Como agir perante todas as dúvidas que tu me trazes? Meus olhos, boca, sentidos e pensamentos estão anestesiados e trancafiados no cativeiro que tu construíste pra mim, cativo, para fazê-los ocultos e secretos como são os teus.
Tu és belo, pássaro cativo! Mas não voas. E mais que tudo, eu preciso que tu voes pra eu próprio poder me libertar, pássaro cativo!

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