segunda-feira, 27 de abril de 2009

Impulso

De verdade. Não consigo mais arranjar desculpas esfarrapadas pra te ver, ou falar contigo. Já tá pegando mal, inclusive. As pessoas começam a reparar meus novos hábitos e me perguntam curiosas o porquê deles. Tangente. Nada me importa, no entanto, senão unicamente a vontade de ter ver, e os teus olhos, e a tua boca. Sentir teu jeito e teu humor. Basta. Basta a vontade. Não consigo me deter.

domingo, 26 de abril de 2009

Working on a Dream

Angústia. Angústia boa. Imaginação à mil por hora. O que vai ser? Como agir? O que esperar? Conversar? Deixar em paz? Matar a saudade? Deixá-la crescer mais um pouco?

Por que é tão difícil organizar o raciocínio quando estamos dominados por um sentimento tão louco?

Hoje fiquei o dia inteiro virtualmente ao seu lado e não tive coragem de falar com você. Não sabia o que dizer, simplesmente. Embora, sim, eu tenha muito a dizer. Tantas coisas a confessar...

Quero evitar estragar o momento que deixamos suspenso no tempo na última vez que nos vimos. Espero que você também queira guardar aqueles momentos em que estávamos tão felizes juntos, alterados um pouco, é verdade, mas conectados e sincrônicos. Ria de mim, pois eu amo seu sorriso. Só peço pra não escondê-lo enquanto ri. Me olhe profundo, eu deixo, eu nunca fui olhado por olhos mais belos. Desculpa se eu desvio os meus depois de alguns segundos, mas é que eu realmente derreteria se os mantivesse nos seus. Nesse caso, prefiro deixá-los olhando-me sozinho. (E eu sei que você me olha, como eu sei! ... e com que olhos!) Conte-me sua vida, quero imaginar-me fazendo parte dela, pensando em nós dois dividindo os momentos e os hábitos. Conte-me seus gostos, eu esquecerei dos meus e irei compartilhá-los. Fale comigo. Sua voz me deixa louco e seu jeito de abrir a boca me dá vontade de tocá-la com um beijo.

Exatamente como eu fiz essa noite de olhos fechados.

"I'm working on a dream
And our love will make it real someday
I'm working on a dream
And how you will be mine someday"
Bruce Springsteen

sábado, 25 de abril de 2009

Euforia

Não vou dizer nada! Nada do que eu disser vai chegar aos pés do que foi hoje. Palavra nenhuma vai significar aquilo que eu senti e aquilo que eu percebi em troca. Sei que estou anestesiado pela euforia e nada vai poder me deter.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cadê o chão?

Incrédulo. Impressionado pela magia dos últimos momentos, o chão já não sinto mais. Sinto não haver superfície sob meus pés e a proximidade das nuvens está me fazendo delirar. Estou nas nuvens. Cadê o chão? Quando falas comigo, o chão desaparece e minhas pernas tremem. Minha boca enrijece e eu perco a conexão entre aquilo que eu acabei de dizer e aquilo que eu estava prestes a pensar. Cadê meu chão?
Já não sei mais o que dizer. O que era para ser feito, já é passado; eu vivo à luz do novo tempo: ou é céu, ou é inferno. O chão já se foi. Agora fico à revelia do pêndulo do acaso, que pode vacilar do céu ao inferno, me destinando peremptoriamente àquilo que me está guardado, e que somente tu conheces. O pêndulo vai pra lá e vem pra cá, movendo-se por altos e baixos. Independentemente da minha vontade. Dependendo somente da tua.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Três palavrinhas que ecoam em meus ouvidos

Hoje foi o dia! E como!... Não foi marcante pelo fato de eu ter pedido demissão, pegado chuva no caminho ou ter me sufocado num ônibus lotado e sacolejante. Nem de eu ter chorado por vergonha de não ter capacidade naquilo que eu faço e ao que eu me dedico há dois anos de estudo. Também não foi marcante por fazer 445 anos de aniversário do Shakespeare.

Foi inesquecível este 23 de Abril porque foi a primeira vez que eu senti que você deu bola pra mim. Seu sorriso enquanto eu o olhava dizia muito do que você tem a dizer pra mim. Eu tenho certeza que os milésimos de segundos que nossos olhos ficaram presos um no olhar do outro significam muito daquilo que você não tem coragem de dizer. Você só tem coragem de expressar com os olhos. Eles repousam tão ternos nos meus. Eu sei. A paciência como que você fala e a calma da sua voz me faz imaginar que quando você disser "Eu te amo!" esse momento vai durar pra sempre!

Daqui pra frente imagino que o gelo esteja quebrado. Hoje conversamos mais do que poderíamos tê-lo feito nos quinze dias em que estou apaixonado. Sinto que a partir de hoje as coisas vão ser mais do meu jeito. Seu sorriso, sua voz, seu jeito visto de perto, seus olhos nos meus, sua atenção enquanto me ouve, seu sarcasmo, seu alegria e ironia. Daqui pra frente são meus.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Platão

Eu não te conheço. Mas eu te quero. Algumas reflexões sobre eu e você:

1. Cheguei num ponto em que não sei mais o que fazer, ou como agir. Idealizei você e tenho medo de me iludir o dia que você deixar de ser apenas uma ideia - tenho muito receio de desapaixonar quando você se apaixonar.

2. Ao mesmo tempo, já passamos da fase do anonimato, em que meus olhos podiam descansar nos seus e seu olhar poder investigar o meu. Apesar de poder segurar sua mão e ouvir sua voz, não posso mais penetrar no fundo dos seus olhos. Não posso mais.

3. A tese da ilusão materialista não pode se perfazer. A um, porque eu não vou deixar de adorar você, eu estou muito dentro pra poder sair. Quero você. Adoro você. Quero conhecê-lo e descobrir seus defeitos. Vou amá-los. A dois, porque estou certo de que você é perfeito assim como você é, assim como eu o vejo - o objeto do meu idealismo é real, tenho certeza! Vai ser impossível me desapegar.

4. Como buscar maior aproximação sem parecer invasivo? Não quero incomodá-lo no seu mundo particular, desvirtuar sua calma e sua paz. Não quero forçá-lo a me dar oi, a conversar, a se abrir. Parei do seu lado dia desses, e fiquei mudo, embora meu coração quisesse dizer-lhe tantas coisas! Tantas coisas ele tem pra dizer.

5. Será que eu estou à sua altura, meu amor? Acredite, tudo que eu venho fazendo ultimamente é pra poder ter a certeza de que eu posso ser digno do teu afeto. Mas não sei até que ponto é possível, já que você parece ter uma vida à parte, uma personalidade à parte, amigos à parte, prazeres à parte... Acho que quando eu tocá-lo e ver que de todo você traz a perfeição em si, vou ter que abandoná-lo.

A razão do meu afeto é sem-razão. Embora eu pense e teorize sobre meus sentimentos, tudo se volta para a sua imagem. A imagem do meu amor.

E aí, tudo são emoções à flor da pele.

Indomáveis pela razão.

sábado, 18 de abril de 2009

Do amor e outros demônios

Ele vai me possuindo
Não me possuindo
Num canto qualquer
É como as águas fluindo
Fluindo até o fim
É bem assim que ele me quer
Meu namorado
Meu namorado
Minha morada
É onde for morar você

Ele vai me iluminando
Não me iluminando
Um atalho sequer
Sei que ele vai me guiando
Guiando de mansinho
Pro caminho que eu quiser
Meu namorado
Meu namorado
Minha morada é onde for morar você

Vejo meu bem com seus olhos
E é com meus olhos
Que o meu bem me vê

Chico Buarque
Você vai me Seguir
Chico Buarque


Você vai me seguir aonde quer que eu vá
Você vai me servir, você vai se curvar
Você vai resistir, mas vai se acostumar
Você vai me agredir, você vai me adorar
Você vai me sorrir, você vai se enfeitar
E vem me seduzir
Me possuir, me infernizar
Você vai me trair, você vem me beijar
VOCÊ VAI ME CEGAR E EU VOU CONSENTIR
Você vai conseguir enfim me apunhalar
Você vai me velar, chorar, vai me cobrir
e me ninar

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Adrift on you

Falling Slowly

I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can't react

And games that never amount
To more than they're meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You'll make it now
Falling slowly, eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me and erase me
And I'm painted black

You have suffered enough
And warred with yourself
It's time that you won

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now
Falling slowly sing your melody
I'll sing along

quinta-feira, 16 de abril de 2009

No Heaven upon the Horizon Line

Há sempre tempo de saltar antes de a barca chegar no inferno.

Você está sentado na popa, de pernas pro ar, deixando somente os ventos e as estrelas guiarem seu destino. De vez em quando você olha para baixo e vê golfinhos apostando corrida aos seus pés, uns desafiando os outros pelo grande prêmio que é poder saltar para dentro da embarcação e fazer-lhe companhia. E você quer, sim, companhia. Navegar é tão tedioso sem golfinhos por perto!, as tempestades parecem assassinas, o horizonte é mais intocável, os segundos correm para trás e a noite não vira mais dia: a aurora nunca chega.

Aí então, depois de muito perceber que as coisas não saíram do jeito que te prometeram, você compreende que não existe paraíso acima da linha do horizonte. O mar enegrece, os golfinhos te bicam pelas costas, e nos achamos à deriva dentro do nosso próprio hábitat. E você se dá conta de que o infinito que o diabo te pintou é, na verdade, um caminho amarelo para uma muito longínqua terra chamada Oz, onde na porta de entrada se depositam os mais sôfregos sonhos partidos das almas perdidas. Na porta do infinito, a ilusão.

Na direção do infinito, o que se encontra é o inferno. Tudo porque o infinito não é nada senão aquilo que insistimos ter capacidade de alcançar, e que, na contramão, insiste em querer fugir do nosso alcance. Aquela ilusão, misturada com aquela vontade de pagar para ver, que nos guia por caminhos amarelos para a terra das almas perdidas. Nossos sonhos. O infinito não existe, mas é meu. Só meu. O seu, é seu. Seu infinito. Sua ilusão. Salte se quiser, o sonho é seu mesmo.

Há sempre tempo de saltar antes de a barca chegar no inferno. Tudo o que não conseguimos é saltar da barca enquanto o diabo ainda não sabe que estamos mortos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pássaro Cativo

Hoje eu conheci um pássaro cativo. Um belo exemplar de pássaro, porém cativo. Não voava, pois não se permitia sonhar com o voo, sabendo estar encarcerado. Somente me olhava como que pedindo liberdade, implorando pra que eu lhe abrisse a gaiola que o prende e o pusesse livre. Embora o contágio dos seus olhos pequenos me dominasse, investi em não fitá-lo muito, pois, por certo, eu sucumbiria à tentação de libertá-lo. Mas eu não pude. Pássaros cativos precisam libertar-se sozinhos.
Parecia perdido quando o vi da primeira, da segunda, da terceira vez. Ia e voltava, entrava e saía do seu ninho. Era como se quisesse mostrar seu canto, mas mudava de ideia e se retraía, recobrando a proteção de que por um segundo tinha se desfeito. Não saía da defensiva, mas seus olhos buscavam os meus, isso eu sei.
Conheci um pássaro do bando do pássaro cativo. E através deste pássaro foi que eu tive coragem e oportunidade de pegar o pássaro cativo em minhas mãos pela primeira vez. Próprio dos enclausurados, logo quis desvencilhar-se do meu toque.
Foi então que ouvi seu canto.Um canto grave tem o pássaro cativo. Que canto! Um canto tímido, fugaz, silente. E único. Não tenho coragem de fazê-lo cantar novamente. Não tenho.
O que te impede, pássaro cativo, de expandir suas asas e mostrar teu voo? Eu quero vê-lo voar, meu amigo, pois eu sei que tu és da espécie de pássaros que voa.
Como agir perante todas as dúvidas que tu me trazes? Meus olhos, boca, sentidos e pensamentos estão anestesiados e trancafiados no cativeiro que tu construíste pra mim, cativo, para fazê-los ocultos e secretos como são os teus.
Tu és belo, pássaro cativo! Mas não voas. E mais que tudo, eu preciso que tu voes pra eu próprio poder me libertar, pássaro cativo!