segunda-feira, 20 de abril de 2009

Platão

Eu não te conheço. Mas eu te quero. Algumas reflexões sobre eu e você:

1. Cheguei num ponto em que não sei mais o que fazer, ou como agir. Idealizei você e tenho medo de me iludir o dia que você deixar de ser apenas uma ideia - tenho muito receio de desapaixonar quando você se apaixonar.

2. Ao mesmo tempo, já passamos da fase do anonimato, em que meus olhos podiam descansar nos seus e seu olhar poder investigar o meu. Apesar de poder segurar sua mão e ouvir sua voz, não posso mais penetrar no fundo dos seus olhos. Não posso mais.

3. A tese da ilusão materialista não pode se perfazer. A um, porque eu não vou deixar de adorar você, eu estou muito dentro pra poder sair. Quero você. Adoro você. Quero conhecê-lo e descobrir seus defeitos. Vou amá-los. A dois, porque estou certo de que você é perfeito assim como você é, assim como eu o vejo - o objeto do meu idealismo é real, tenho certeza! Vai ser impossível me desapegar.

4. Como buscar maior aproximação sem parecer invasivo? Não quero incomodá-lo no seu mundo particular, desvirtuar sua calma e sua paz. Não quero forçá-lo a me dar oi, a conversar, a se abrir. Parei do seu lado dia desses, e fiquei mudo, embora meu coração quisesse dizer-lhe tantas coisas! Tantas coisas ele tem pra dizer.

5. Será que eu estou à sua altura, meu amor? Acredite, tudo que eu venho fazendo ultimamente é pra poder ter a certeza de que eu posso ser digno do teu afeto. Mas não sei até que ponto é possível, já que você parece ter uma vida à parte, uma personalidade à parte, amigos à parte, prazeres à parte... Acho que quando eu tocá-lo e ver que de todo você traz a perfeição em si, vou ter que abandoná-lo.

A razão do meu afeto é sem-razão. Embora eu pense e teorize sobre meus sentimentos, tudo se volta para a sua imagem. A imagem do meu amor.

E aí, tudo são emoções à flor da pele.

Indomáveis pela razão.

2 comentários:

  1. É a sensação de uma onda na praia, num fim de dia, levando embora um castelo de areia inteiro, edificado nos mínimos detalhes, e a água gelada e salgada, cheia de espuma escura, faz do castelo inteiro só fundações. Não sei dizer com exatidão, contudo essas palavras são de uma propriedade que choca, e tudo que está escrito é tão bonito, e tão verdade, que impressiona e inspira, na alma.

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  2. É bem isso, Zé. Tu sabe como isso tá parecendo muito real pra mim.

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